segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Niède Guidon ganha prêmio de R$300 mil e destina verba para aeroporto

A arqueóloga Niède Guidon recebeu R$ 300 mil do prêmio da Fundação Conrado Wessel em São Paulo, pelos serviços sociais prestados no Piauí, e anunciou que irá destinar R$ 100 mil para as obras do aeroporto de São Raimundo Nonato. Ela foi escolhida em uma lista com mais de 400 brasileiros que se destacaram em suas áreas.

Segundo a arqueóloga, as obras são urgentes para que o local seja homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). 

"Eu estou pagando as obras que tinham que ser feitas pelo Governo. Fizemos toda a conexão de postes, luminárias, tudo agora está ligado a rede pública e estamos esperando só a ANEEL para fazer a ligação. Fizemos o sistema de drenagem e estamos fazendo todas as cercas”, revelou a arqueóloga.
Niéde acrescenta que até o momento foram gastos R$ 80 mil somente com material para as obras e que a despesa irá ultrapassar os R$ 100 mil, já que cerca de 30 pessoas trabalham neste momento no local. Guidon, que é presidente da Fumdham (Fundação Museu do Homem Americano), recebeu a premiação por suas pesquisas sobre a ocupação humana na região do Parque Nacional da Serra da Capivara. Cada ganhador, divididos em três categorias, recebeu R$ 300 mil. 
Verba para liberação
Segundo Niède Guidón, existe uma verba destinada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para a construção do Museu da Natureza em Coronel José Dias, mas é necessário que o acesso ao local possua um aeroporto público para a liberação da verba. O aeródromo de São Raimundo Nonato é homologado como particular e obras estruturantes são necessárias para que a homologação seja autorizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
Governo
Procurada pelo Cidadeverde.com, a Superintendente de Obras da Secretaria de Infraestrutura do Estado do Piauí, Cristina Castelo Branco, admite que algumas despesas estão sendo custeadas por Niéde, e explica ainda que elas realmente não estavam no projeto a ser executado com verbas federais. Mas segundo ela, a arqueóloga foi quem se prontificou a assumir a despesa, que seria feita pelo governo estadual, por conta da urgência pela homologação do aeródromo como público. 
“A obras assumidas por ela realmente não estão no projeto que envolve verbas federais e seriam assumidas pelo Governo estadual, mas a Fundham depende dessa homologação pelo interesse de que uma verba seja liberada para a construção do Museu. Precisava de urgência. O nosso processo exige edital de licitação, e isso demanda tempo para que tudo aconteça dentro da lei . Ela não podia esperar esse tempo, por isso ela se dispunha a assumir os gastos”, explicou a superintendente. 

Cristina explica também que uma representante da Fundham procurou a Seinfra e esteve em reunião com a secretaria de planejamento e com a secretaria de desenvolvimento para oferecer a saída. “Nós teríamos que cumprir o que a legislação nos obriga. Em nenhum momento o Governo procurou a Fundham para que as obras fossem concluídas e é importante que isso fique claro. Fomos procurados pela doutora que colocou como condicionante para a liberação dos recursos essa homologação do aeroporto. Precisaríamos passar por esse processo e não teríamos como fazer de outra forma, cientes disso a Fundham se propôs a custear. Chegamos a contratar a empresa que procederia com essa homologação e essa empresa apontou as obras necessárias. Precisaríamos de tempo e eles não podiam esperar", completou Cristina Castelo Branco.
Em novembro de 2013, o Governo do Estado chegou a anunciar que as obras do aeroporto seriam entregues em abril, mas até o momento não há uma data definida para a entrega da construção que já se estende há cerca de dez anos e três governos. A arqueóloga conclui informando que em poucas semanas o local deve ser vistoriado para que aconteça a homologação. 
“Eu realmente não sei mais o que dizer. Eu acho que foi muito errado acreditar que as coisas dariam certo aqui no Piauí e no Brasil, mas já que estamos aqui temos que ir até o final”, concluiu Niède Guidon.

Fonte: cidadeverde

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